As corridas de rua e eu – Unidas e felizes para sempre

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Oi pessoal!

Hoje foi dia de: corrida de rua!!! Fui no Circuito das Estações – Etapa Primavera, e corri 10k.

Jaquetão de Nylon pq o frio tava cruel. Pernas de fora pois sinto um calor absurdo nas corridas, rsrs.

Jaquetão de Nylon pq o frio tava cruel. Pernas de fora pois sinto um calor absurdo nas corridas, rsrs.

Antes da corrida, ainda digna, na Praça Charles Miller. Pra correr tem que acordar cedo, a largada foi as 08:00.

Antes da corrida, ainda digna, na Praça Charles Miller. Pra correr tem que acordar cedo, a largada foi as 08:00.

A corrida foi nos arredores do Pacaembu, passando pelo Minhocão. Esse percurso não foi novidade pra mim, já fiz ele umas 5 vezes rsrs.

A corrida foi nos arredores do Pacaembu, passando pelo Minhocão. Esse percurso não foi novidade pra mim, já fiz ele umas 5 vezes rsrs.

Sobre as corridas, começo me valendo de algumas palavras do Dr. Drauzio Varella no delicioso livro “Correr: o exercício, a cidade e o desafio da maratona”

“Já nos primeiros treinos, experimentei o impacto do exercício aeróbico no condicionamento físico. Perdi dois ou três quilos que não me faziam falta, ganhei músculos nas pernas, fôlego para subir escadas, mais disposição para enfrentar as atividades diárias, descobri o prazer que um humilde banquinho de madeira pode proporcionar ao corpo cansado e o alívio dolorido que a cama traz à musculatura das pernas, à noite.

Por outro lado, senti na carne o tormento que é levantar da cama de madrugada para correr. Passados mais de vinte anos, meu primeiro quilômetro ainda é dominado por um único pensamento: não há o que justifique um homem passar pelo que estou passando. Existe sofrimento mais atroz do que deixar a cama quente, no horário em que o sono é mais arrebatador, vestir o calção, a camiseta e calçar o tênis para sair correndo?

E só depois do primeiro quilômetro, quando as sucessivas contrações musculares enviam sinais para que o cérebro libere endorfinas na circulação, que o exercício se torna suportável. O  bem-estar que a atividade física traz e a tranquilidade que toma conta do corredor só acontecem, de fato, no fim da corrida.”

Pra quem quiser ler, esse livro é muito bacana, leve e tranquilo de ler, e tem informações valiosas para quem está começando ou para quem, como eu, quer chegar a alguma meta de corrida (no caso, a minha são 21k, uma meia maratona, até o final desse ano).

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Comecei a correr nas ruas depois de muito relutar. Nunca fui muito disciplinada com exercícios e meu fôlego era uma lástima. Nas tentativas de corrida, eu corria no máximo por 1 minuto e meu coração já disparava, a respiração ficava difícil, as pernas doíam e eu parava automaticamente. Não achava que essa vida era pra mim.

Quando comecei a maravilhosa jornada em busca de uma vida mais saudável, sabia que, infelizmente, as caminhadas não seriam suficientes para acelerar meu processo de emagrecimento. Teria que fazer uma dieta muito restritiva e não era o que eu queria. Pedi orientação na academia onde me exercito para começar a intercalar pequenos trotes às caminhadas na esteira. 1 minuto de cada, será que eu conseguiria?

Comecei. Instalei o app de corridas no celular e fui à luta. Postava meus avanços no facebook e tinha muito incentivo. Para variar um pouco, às vezes ia ao Parque Ibirapuera fazer minhas caminhadas e uma grande amiga se juntava a mim. Ela, que já estava se aventurando no mundo das corridas, me incentivava a correr junto com ela nas ruas, mas estava TÃO difícil pra mim!!! Eu ficava vermelha como um pimentão, ensopada de suor, sem fôlego… tinha muita vergonha do estado lastimável que encerrava meus treinos e medo de não conseguir acompanhar o ritmo.

Até que, perto do meu aniversário, em setembro, minha amiga me deu de presente a corrida CIrcuito Nortuno Caixa 5k. Fiquei muito agradecida e ao mesmo tempo APAVORADA. Não tinha como voltar atrás, não tinha como faltar, eu não sou do tipo que desiste ou que amarela (e, no fundo, adoro um desafio). Cheguei no meu instrutor e falei: “Tenho uma corrida de 5k em duas semanas, me ajuda”, e logo no primeiro treino ele mandou eu correr direto 5k. O máximo que conseguia sem parar era 1k, em 10 minutos ainda. Pensei ser impossível mas consegui. 

O dia da corrida chegou. Era uma corrida Noturna e eu recomendo esse início pra todo mundo. A noite o tempo é mais fresco, o corpo já está desperto e se você estiver descansado, dá pra render super bem.

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Por fora: aparente descontração. Por dentro: medo, pavor, suando frio, rezando.

A largada é um momento delicioso e difícil de descrever. Lembrei de, quando criança, assistir a São Silvestre no último dia do ano e vibrar com aquele povo todo largando junto, aquela adrenalina… pra mim, correr é ter essa sensação infantil, o Drauzio Varella diz isso no livro também. Corri boa parte do percurso sozinha, pois não achava que conseguiria acompanhar minha amiga. E, de fato, tive que andar em uns 3 ou 4 trechos. Mas ao cruzar a linha de chegada, confesso que segurei o choro. Foi uma emoção muito grande ultrapassar meus limites.

Para quem não conhece a dinâmica, a corrida tem um percurso definido (na maioria das vezes, de 5 ou 10K), alguns pontos de hidratação (ou seja, morrer de sede ninguém morre) e no final você ganha uma medalha por participação, um isotônico, uma banana e uma maçã. E, se você for muito rápido, ganha o pódium. Eu estou longe disso, ainda. Hahahaha.

Pra mim, a corrida de rua é a confirmação que estou “bem”. A corrida exige MUITO do corpo e da saúde. Em uma das corridas, meu estômago não estava bom, e “travei” no sétimo ou oitavo quilômetro, fiz praticamente todo o final do percurso andando porque a dor estava forte.

Hoje em dia, já consigo acompanhar minha amiga em todo o percurso, só em algumas, no final, eu deixo ela ir na frente nos últimos metros, pois fico muito lerda neles. Já corri 5k, 10k e 16k.

16k em abril, momento emocionante

16k em abril, momento emocionante

Este ano, ainda devo correr umas 5 provas de rua. Estar com outras pessoas que tem a mesma vibração é muito importante pra mim. E a sensação depois das corridas é realmente sensacional. Hoje, ao sentar no banco da Charles Miller, me senti feliz e realizada. Bati o tempo? Nem sei, o que me deixou mais feliz foi não ter tido dores nos flancos (parte inferior do abdomen, aquela dor chatinha de exercício, sabem?) e não ter perdido o fôlego tão fácil. Fui sentir a pressão nos últimos 500 metros (normalmente é no quilômetro 3, e depois, no 8). Fiz muita musculação recentemente: fortaleci pernas, panturrilhas, braços, costas e principalmente, o abdomen. E funcionou.

Para quem está iniciando nas corridas de rua ou tem vontade, seguem algumas dicas:

  • Procure orientação médica e de instrutores. Primeiramente, cheque se você realmente pode correr, se seu coração e pressão estão ok, um treino personalizado é muito mais seguro e eficaz.
  • Eleja seu local de treinos. Eu me sinto muito à vontade na academia, com esteira e ar condicionado. Algumas pessoas não suportam, preferem a liberdade das ruas. Mas, se for treinar na esteira, faça treinos nas ruas pelo menos uma vez por semana, o esforço exigido é muito diferente.
  • Já falei sobre as roupas aqui e repito: roupa adequada é fundamental. Prefira tecidos leves, que deixem o corpo respirar, que não provoquem atrito, que não tenham que ficar “ajeitando” (essa é pra mim, preciso sempre ajustar minhas leggings, shorts e bermudas a medida que emagreço),
  • Tenha um arsenal contra bolhas, assaduras e machucados. Hidrate o corpo pra ele “deslizar” mais suavemente e previnir as assaduras. Bolhas são normais, às vezes até unhas caem, hidratantes e produtos específicos pros pés ajudam muito no alívio.
  • Concentração. Pra corrida render, o foco tem que ser no corpo, na consciência do mesmo. Ficar distraído com o percurso, as pessoas em volta, é normal. Mas, sempre que possível, volte a atenção para seu corpo, as sensações, a respiração. Praticar Yoga e Meditação me ajuda muito.
  • Seja competitivo dentro dos seus limites. Eu sei que tempo ainda não é meu forte, por enquanto minha meta são distâncias e me foco nelas. Seja gentil com os outros corredores e atento a ultrapassagens.
  • Se alimente adequadamente antes dos treinos e corridas. Antes das corridas de rua eu curto uma boa tapioca e uma xícara de café, nada mais. Leite me estufa, pão também. Nunca treino em jejum. Sei que tem pessoas que fazem isso, mas eu não consigo.
  • Seus horários e hábitos vão mudar. É muito difícil conciliar uma vida noturna agitada com corridas que começam as 07:00 ou 08:00 da manhã de domingos, ou com treinos que exigem muito da nossa condição física. Bebida alcóolica, consumo com pouquíssima frequência, e no dia anterior das corridas, quase impossível. Não me faz falta nenhuma, sinceramente. Sou muito mais a sensação da endorfina.
  • Não desista!!! Existem momentos difíceis, preguiça, condições emocionais, mas não se deixe abater. Passei por momentos difíceis, mas os treinos me ajudaram a superar tudo. Cheguei a correr com os olhos cheios de lágrimas, caminhar chorando… mas depois do treino, tudo parecia mais fácil de enfrentar. Força sempre!
  • Comece JÁ!!! Se você tem vontade, pare com as desculpas, seja determinado, e venha pro grupo dos loucos, que acordam cedo, usam tênis multicoloridos, idolatram copinhos de água e bananas!
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2 comentários sobre “As corridas de rua e eu – Unidas e felizes para sempre

  1. Carina

    A Ma é um exemplo para muitas pessoas, vale a pena lutar e correr atrás.. Cansa, tem horas que da vontade de parar… Mas quando temos amigos tudo fica mais fácil… Obrigada por ser minha cia de corrida amiga 😊 e vamos chegar aos 21k em breve outubro! Bjs

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    • Nós duas somos exemplos!!! Que pessoas normais, ex-sedentárias, que gostam de pizza, doces e eventuais starbucks, também podem ser saudáveis e praticar exercícios! Obrigada pelo comentário, Cá! E obrigada por estar sempre comigo nessa jornada emocionante e de superação!!!

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