3 semanas sem correr e o desafio de nunca desanimar

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Quando eu comecei a correr, pensei que era fogo de palha, como tantas outras manias que eu tive na vida. Pensei que ia ser um alívio momentâneo para as dores na alma que eu estava sentindo, que logo eu ia cansar, que ia desanimar nos treinos, não ia querer acordar cedo pra fazer as provas (e bota cedo nisso, hein! Meu recorde foi 3:30 da manhã), que eu ia encontrar alguma outra forma de distração ou que, logo que eu voltasse “ao normal”, ia parar de me dedicar e largar tudo.

Fiz uma prova, fiz duas, três, quatro… treinava muito, lia muito, mudei muitas coisas no estilo de vida, mas pensava que os desafios que me impunha eram o que me mantinham motivada: 5km, 10km, melhorar tempo, emagrecer mais… conseguia, aí logo ia impondo outro desafio pra continuar com a chama da corrida acesa dentro de mim. Tinha muito medo de desistir!!!

2015 corri MUITO… 2016 corri MAIS AINDA… perdi a conta de quantas provas fiz… e fiz provas de todos os tipos: normais, revezamento, obstáculos, curtas, longas, provas boas e provas muito ruins. Tive desempenhos louváveis e muitos, mas muitos desempenhos ruins.

Fiz 4 meias maratonas em 2016 e encerrei o ano com uma São Silvestre que, algumas semanas antes da prova, me apresentou um novo desafio: minha primeira lesão. Foi horrível. Passei quase 2 anos como corredora iniciante sem uma lesãozinha sequer, aí logo que me senti corredora de verdade, depois das meias, veio uma bursite no quadril e eu sabia que ia ter que maneirar e repensar meu 2017 de corridas.

Passei semanas sem treinar, mas nunca deixei de ir à academia. Podia fazer fortalecimento, musculação, então eu fazia, religiosamente. Isso tudo porque o que eu queria era voltar logo a correr, sentia falta da sensação (bendita endorfina!), sentia falta do meu momento sozinha com minhas playlists animadas, de ficar sem fôlego, de organizar o pensamento para me atentar às passadas, à respiração… e continuar treinando e fortalecendo a musculatura enquanto isso me deixava animada.

Voltei, mas voltei com calma. A bursite sarou, mas resgatar o ritmo não é nada fácil. Parecia que tinham se passado meses sem correr, parecia que todo o trabalho de 2 anos tinha ido por água abaixo! Mas não desisti, mudei os treinos, adotei educativos para aprimorar passada… e continuei. Tive uma outra inflamação, dessa vez no braço direito por um peso que levantei sem cuidado… mais uma pausa… menos treinos… difícil recuperar o tempo perdido. Abri mão de uma meia maratona porque sabia que não ia segurar a onda. Sou bem realista, sabia que ia exigir demais de mim mas não me deixei abalar e continuei treinando.

Mas aí, desde março (bem quando sarei da bursite, que ironia) uma dorzinha chatinha me incomoda no pé direito. Passei pouco mais de 1 mês trabalhando fora de casa e usava muitos sapatos baixos (sapatilhas, tênis baixinhos). Durante as corridas não doía, mas quando acordava no dia seguinte… nossaaaaa, nem pisar no chão eu conseguia. Depois de muita dor e muitas compressas em vão, fui ao médico descobri uma fascite plantar. 3 semanas sem correr. Vale ressaltar que essa lesão em especial não foi por causa das corridas, foram os sapatos sem amortecimento mesmo.

Não é grave. Alguns dias de antiinflamatório, mais compressas e alongamento. Mas é um saco saber que não posso correr.

Participo de incontáveis grupos de corrida no Facebook e vejo muitos relatos de corredores veteranos. A grande maioria já teve/tem lesões e vive quebrado, rsrs. Aí, penso que é isso que está me fazendo amadurecer como corredora. Passou o frenesi das primeiras provas, de me superar, de bater tempo… agora eu quero apenas correr. É quase como tomar banho ou escovar os dentes: 3 vezes por semana eu tenho que correr pelo menos 3km. Virou uma parte de mim.

lotus

Nunca pensei que fosse me apaixonar por qualquer tipo de esporte. Até gosto, sempre pratiquei numa boa, mas sou mais das artes, das humanas… mas nas corridas encontrei uma quase meditação, um momento que valorizo como sendo MEU e de mais ninguém, por mais amigos que corram comigo e me acompanhem, na corrida eu entro em contato com meu eu mais primitivo, minha essência competitiva e reflexiva.

É por isso que meu lema foi “não pode parar” no começo. Naquela época eu não podia parar de emagrecer… mas isso se tornou meu estilo de vida, e agora não posso parar de correr porque uma coisa levou à outra e hoje em dia é o que me faz feliz. Vou esperar pacientemente essas 3 semanas até me recuperar totalmente, e voltar melhor do que antes!!!

 

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